De uma menina com revistas nas mãos a uma mulher que ajuda histórias a ganharem voz.
Criada até os 7 anos apenas pela mãe, uma mulher batalhadora que trabalhava como doméstica e precisou deixar sua cidade em Minas Gerais por enfrentar a realidade de ser mãe solteira em outro tempo, aprendi cedo o valor da coragem, da dignidade e da perseverança. Foi nesse ambiente simples, porém rico em amor e esforço, que nasceu também minha paixão pelas palavras.
Ainda menina, enquanto folheava revistas que minha mãe trazia da casa dos patrões — como Revista Manchete, O Cruzeiro, Fatos & Fotos e outras publicações marcantes dos anos 1970 — eu já dizia com convicção: "Vou ser jornalista". O sonho surgiu cedo e nunca mais me deixou. Meu padrasto fazia questão de relembrar essa frase nas conversas em família.
Na juventude, durante o ensino médio, participei de um concurso de redação e fui uma das vencedoras. Minha professora me chamou em particular e me incentivou a continuar escrevendo. Ela enxergava em mim um talento raro para as letras. E estava certa. Muito jovem, escrevi meu primeiro livro à mão, com lápis, em folhas simples: um romance sobre uma jovem indígena, possivelmente inspirado em Iracema, de José de Alencar. Antes mesmo de conhecer o mercado editorial, eu já carregava dentro de mim a vocação de autora.